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Opinião - Edição 586 - Jornal NippoBrasil

PREVISÃO DE TEMPO

Titomo Sakihama*

Numa apresentação da previsão de tempo falou-se “baixa pressão” atmosférica, como responsável pelas chuvas intensas do Brasil Meridional. Tantos anos de atraso. Foi em 1937 que um cientista japonês fez publicar seus estudos sobre a pressão atmosférica como responsável pelas chuvas. Levou tantos anos até chegar, finalmente, ao Brasil. Mais de 70 anos.

Os ingleses, pouco tempo após a publicação das pesquisas japonesas, talvez já utilizassem o critério de baixa e alta pressão atmosférica, a ponto de indicarem ao general Eisenhower que haveria três dias de calmaria e que a Operação Overlord (Invasão da França), na 2ª Guerra Mundial, poderia se iniciar. Eisenhower só acreditou quando aconteceu o primeiro dia de calmaria e finalmente ordenou a invasão da França.

Os EUA também, ao que parece adotaram esses estudos, pelo menos é o que se deduz dos “caçadores de tornados”, que mencionam a baixa pressão atmosférica. Os japoneses já fazem até simulações de formações de tornados, em campânulas, nos laboratórios de pesquisas, mediante redução de pressão atmosférica, dentro das campânulas.

O critério de “frentes frias” e de “frentes de calor” já está obsoleto. A antiga imagem de “frente” pressupõe que a massa de ar avança, empurrando o ar como um buldozer. Se tal fosse o caso, isso pressuporia pressão elevada. Nos casos de elevada pressão atmosférica não ocorrem chuvas.

No critério de Circulação Geral da Atmosfera, pode ser que o ar esteja sendo retirado de uma região, e que venha sendo preenchido pela massa de ar, que vem após a “frente”. A Circulação Geral da Atmosfera faz parte da escala que pode ser planetária, continental ou oceânica.

O professor-doutor Gil Sodero de Toledo em sua pesquisa de pós-graduação na USP, de Climatologia, descobriu que o Anticiclone Atlântico está permanentemente em algum local do litoral brasileiro. Durante o decorrer do ano, o Anticiclone Atlântico sofre modificações no seu giro sobre a superfície terrestre. As pesquisas do dr. Gil Sodero de Toledo não foi além, por que seu foco era Climatologia do Brasil. Ele foi o segundo cientista brasileiro a pesquisar a Climatologia Dinâmica, após o dr. Carlos Augusto Monteiro, ambos na década de 1960. Até então a Climatologia era a Tradicional, posto que considerasse a sazão das estações do ano (Primavera, Verão, Outono e Inverno) e também as latitudes (Equatorial, Tropical, Temperado), assim como as altitudes do relevo.

Cabe aos meteorologistas processar os dados existentes como chuvas, pressões, incidências do sol, coberturas de nuvens, umidade relativa do ar, efeitos orográficos. São dados utilizados normalmente e que ajudam a melhorar a precisão das previsões atmosféricas. É evidente que os estudos vão além dos limites territoriais brasileiros. São os casos do El Niño e do Cabo das Tormentas (Cabo da Boa Esperança) do sudoeste da África.

Não se fala do Cabo das Tormentas, a não ser nas aulas de História (navegações portuguesas). No entanto, um submarino japonês, em missão, na 2ª Guerra Mundial, emergiu ali, sob pesada tormenta, e teve pane no rádio de comunicações, razão pela qual não soube que ordens de regresso tinham sido transmitidas. O submarino japonês prosseguiu sua rota em direção às Ilhas dos Açores, onde foi destruído pelos ingleses. O Cabo das Tormentas continua apresentando tormentas mais de quinhentos anos após as heroicas e históricas navegações portuguesas? Pode por navios em risco, tal como o submarino japonês da 2ª Guerra Mundial? E as rotas aéreas que partem do Brasil para a África Meridional? Os estudos climatológicos e meteorológicos podem se estender sobre Oceano Atlântico? Com a palavra a Força Aérea Brasileira e a Marinha de Guerra.

Virou manchete de jornais a queda de avião da Air France no Oceano Atlântico. Soube-se da última comunicação, de que o avião entraria em uma nuvem cúmulo. Entrar em nuvem cúmulo? O que faz a Força Aérea Brasileira? Não existem especificações sobre segurança de rotas aéreas? Se o avião saiu do Brasil e tem passageiros brasileiros, mesmo que sobrevoando águas oceânicas internacionais e sendo o avião de bandeira estrangeira, poderia ter sujeição a algumas normas de segurança de voo? E a Federal Aviation do governo americano se omite nesses casos? Nenhuma convenção internacional de segurança de voo se faz?

Em um voo ao Japão, eu fui admitido à cabine de pilotagem de um avião da Varig, pelo fato de ser geógrafo e de conhecer climatologia. As nossas conversas envolveram ‘buracos de ar’, as turbulências, radar de bordo e topo de nuvens cúmulos. O piloto disse que quando o radar de bordo detecta nuvem cúmulo adiante, o avião contorna a nuvem e retoma a rota de voo adiante. Avião da Air France penetra na nuvem Cúmulo? Então não existe Convenção Internacional de Seguranças de Voo, que estipule os procedimentos adequados? Para este caso, as agências de viagens deveriam ser obrigadas a informar aos passageiros as empresas de aviação que têm padrões de segurança de rotas de voos.

O livro escrito por Abílio Diniz, ao tratar da desidratação, menciona a temperatura do ar. No Japão menciona-se também a pressão atmosférica. A pressão da atmosfera tem relação direta com “evapotranspiração” (sudação ou desidratação, também).

Não podemos esquecer o efeito da Lua. Burt Goldman, que foi o maior instrutor do Método Silva nos EUA menciona, em CDs que ele comercializa o efeito gravitacional da Lua nos comportamentos humanos. O efeito da gravitação universal tem algo a ver com a pressão atmosférica, assim como do nível do mar? Incluir a lunação nas previsões de tempo pode parecer horóscopo ou esotérico. Mas, pode ter sua razão de ser. Pesquisas podem mostrar a importância da Lua nas previsões de tempo.


*Titomo Sakihama - Geógrafo
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