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Caderno Saúde

Sem controle
Cerca de 30% da população brasileira sofre da síndrome da bexiga hiperativa

(Reportagem: Suzana Sakai | Fotos: Divulgação)

Muito mais do que uma vontade incomum de ir ao banheiro, a síndrome da bexiga hiperativa é um problema que compromete a saúde, o psicológico e o social daqueles que são acometidos por ela. Conhecida como incontinência urinária, a doença provoca uma perda involuntária de urina, que pode ocorrer tanto por esforço, como por hiperatividade da bexiga. “No caso da incontinência urinária por esforço, as perdas ocorrem quando a pessoa faz alguma atividade como tossir, espirrar, carregar peso, ou até mesmo levantar-se da cadeira. Na incontinência por hiperatividade da bexiga, a pessoa sente uma necessidade urgente de urinar, além de existir um aumento no número de micções durante o dia e à noite”, informa o urologista José Carlos Truzzi.

Cerca de 30% da população brasileira sofre com a síndrome da bexiga hiperativa, sendo que as mulheres são as mais atingidas. A doença leva à queda na auto-estima e à vergonha de sair de casa, o que força muitas pessoas a um isolamento social involuntário.

Embora muitos acreditem que a incontinência urinária seja um problema comum em idosos, a perda excessiva de urina deve ser um sinal de alerta em qualquer idade. “Existe uma crença de que a incontinência urinária é um processo que faz parte do envelhecimento, mas a perda de urina não é normal em nenhuma idade, devendo sempre ser investigada e tratada corretamente”, explica Truzzi.

No alvo da doença

As mulheres são as principais vítimas da incontinência urinária. Estimativas mostram que de 10% a 55% das mulheres entre 15 e 64 anos apresentam sintomas da doença. A prevalência desse mal no público feminino se deve principalmente aos aspectos anatômicos. “Há, realmente, uma maior freqüência de incontinência urinária entre as mulheres. No caso da síndrome por esforço, por exemplo, as gestações, os partos normais e a privação hormonal após a menopausa são fatores que contribuem para a incontinência. Some-se a isso o fato de a uretra feminina ser mais curta que a do homem e o assoalho pélvico muscular ter mais pontos de fraqueza do que o masculino”, observa o urologista.

No entanto, a incontinência causada pela hiperatividade da bexiga pode estar relacionada a problemas neurológicos, como acidente vascular cerebral ou esclerose múltipla. “Outros fatores associados são os prolapsos genitais [bexiga caída] e, em muitos casos, o motivo da hiperatividade não é definido”, acrescenta Truzzi.

Tratamento

O primeiro passo para o tratamento dessa síndrome é descobrir qual é o tipo de incontinência. No caso da hiperatividade, os cuidados iniciam-se com algumas mudanças de hábitos, como a ingestão de líquidos e exercícios para a musculatura da pelve, associados ao uso de medicamentos. Dependendo da situação, pode-se recorrer à toxina butulínica (botox), ou até mesmo à ampliação da bexiga por procedimentos cirúrgicos.

As incontinências acarretadas por esforço também iniciam o tratamento com exercícios, mas, nesse caso, sem a associação de remédios. A intervenção cirúrgica nesse tipo de síndrome consiste na implantação de um reforço sob a uretra. “Pode ser utilizada uma tela sintética, ou um tecido do próprio paciente. Essa cirurgia leva cerca de 40 minutos e o paciente tem alta geralmente em 24 horas”, afirma o urologista.

Vale lembrar que todos os tratamentos para incontinência são passíveis de falha, mas os resultados, de modo geral, ficam na casa dos 80% a 90% de cura. “Se houver falha, o tratamento pode ser feito novamente pela mesma técnica, ou não”, diz Truzzi.

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