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Caderno Turismo

Aventure-se nas cavernas do Petar
Turistas em busca de aventura encontram cavernas com vários níveis de desafios

Um dos cartões-postais do parque, a Caverna Morro Preto, no Núcleo Santana, impressiona os visitantes por sua beleza

(Reportagem: Kelly Nagaoka | Fotos: Agência Local Parque Aventuras/Divulgação e Arquivo Pessoal)

Você quer um passeio diferente? Então, está na hora de conhecer o Petar (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), localizado entre os municípios de Iporanga e Apiaí, no Vale do Ribeira, distante mais de 300 quilômetros da capital paulista.

A região detém a maior concentração de cavernas brasileiras. Além disso, tem mais de 20 cachoeiras e atividades variadas, como rapel, bóia-cross (descida de rios com bóias), cascading (rapel em cachoeiras), escalada e trekking.

Aventureiros Experientes

O geólogo Hélio Shimada, de 60 anos, representante titular do Instituto Geológico no Conselho Consultivo de Apoio à Gestão do Petar, freqüenta o Petar desde 1970 e, hoje, vai ao local a cada dois meses.

Com muita experiência sobre o assunto, ele indica onde os visitantes podem passear. “No Núcleo Santana, você encontra a caverna Santana, rica em ornamentações. Já a Morro Preto possui dimensões colossais e a caverna do Couto é um local de travessia fácil, além de boa para a terceira idade”.

No Bairro Serra, Shimada conta que é imperdível a Alambari de Baixo, com uma travessia interessante entre duas bocas.

Para os mais preparados fisicamente, o geólogo sugere a caverna Laje Branca, famosa pela grandiosidade da entrada, no caminho do Lajeado.

Segundo ele, outra visita atraente é ao Núcleo Caboclos. “Vale a pena visitar a Caverna Temimina II, pela grandiosidade e beleza do vale que a abriga. Prepare-se, pois a caminhada é pesada. Também encontram-se as grutas Aranhas e Chapéu, vizinhas e pequenas, mas interessantes e de fácil acesso. E ótimas para os mais velhos”.

Para finalizar, no acesso por trilha pelo Rio Iporanga, Hélio Shimada indica a Casa de Pedra, com um portal de quase 200 m de altura, o maior do mundo.


Hélio Shimada freqüenta o Petar desde 1970

Outro geólogo experiente e que esteve três vezes no Petar é Tetuo Nitta, 76. “Aconselho o rapel nas cachoeiras e também conhecer as cavernas de características distintas, como Santana e Laje Branca, citadas por Shimada, e Água Suja.

A bióloga Lucia Yoko Nagaoka, 42, dona de uma pousada em Iporanga, tinha o costume de acampar no local no início dos anos 80. O amor pela região fez com que abrisse uma pousada em 1989.

Com tantas idas e vindas ao local, agora com os filhos – o mais velho tem 10 e a mais nova 7 –, a “expert” sobre o Petar cita quais são as cavernas imperdíveis para visitar: Santana, Água Suja, já indicadas por Shimada e Nitta, e Morro Preto e Alambari.

 
Informações úteis
Os turistas devem sempre agendar as visitas com a direção do Petar, pois o Ibama impôs limitações ao número de visitantes por guia e por dia nas cavernas. Informações: (0xx15) 3552-1875.
 
Orientações de Hélio Shimada:

- Não se esqueça de que é obrigatória a contratação de guia local para visitar as cavernas. Os guias informarão sobre as restrições vigentes e devem ser obedecidos, para evitar problemas e acidentes.

- É desejável que os turistas levem equipamento elétrico de iluminação pendurável no corpo, para liberar as mãos.

- É recomendável levar uma pequena mochila, com capa de chuva, lanche e água. Evite levar objetos nas mãos, seja nas trilhas, seja nas cavernas.

- Não é permitido entrar nas cavernas com bermuda, short ou calça que não chegue aos tornozelos. Sandálias e calçados abertos, como papetes, não são permitidos no interior das cavernas e nas trilhas do parque. O ideal é usar calças compridas de tecido de secagem rápida, camisetas de manga comprida e meião por cima da barra da calça (para evitar entrada de insetos).

- Quem for alérgico a picadas de insetos deve levar algum anti-histamínico e repelentes são recomendáveis, devido à presença de borrachudos e pernilongos.

- Os turistas devem considerar também outros atrativos da região, como as várias cachoeiras, o bóia-cross no Rio Betary, a mina abandonada de chumbo do Espírito Santo (a 5 km do Núcleo Caboclos), e a visita ao Parque Natural Municipal do Morro do Ouro, em Apiaí, onde se pode entrar numa antiga mina de ouro, com veios do minério ainda visíveis. O artesanato em cerâmica de Apiaí é outro atrativo.

Água nas cavernas

No Petar, o turista tem muito contato com a água. Por isso, confira as sugestões de Tetuo:
- Tenha disposição para enfrentar a água até o pescoço no interior de algumas cavernas.
- Um bastão para caminhada é ótimo para andar na água.
- Também não se esqueça do saco impermeável para colocar a máquina fotográfica.

 
Como Chegar

De São Paulo

Ônibus
Lucia Yoko informa que os ônibus saem da Rodoviária Barra Funda para Apiaí, com valor médio de R$ 60 e duração de cerca de 7 horas. “Depois, é preciso pegar ônibus ou táxi para Iporanga e descer no Bairro da Serra”. De acordo com Hélio Shimada, somente dois ônibus por dia fazem o trajeto de Apiaí para Iporanga.

Carro
Para Shimada, a melhor opção é a Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) até Jacupiranga e, desta, tomar a estrada que passa por Eldorado e segue para Iporanga, margeando o Rio Ribeira de Iguape. “São aproximadamente 330 km de asfalto até a cidade de Iporanga e mais 14 km em estrada de terra até o Bairro da Serra. Nesse percurso, os turistas podem visitar a Caverna do Diabo, que fica no município de Eldorado”, ensina.

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