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(Texto: Kelly
Nagaoka | Fotos: Eric Funabashi/Tadashi Suenaga/Arquivo Pessoal)
O
parque Kairakuen foi um dos primeiros a organizar a festa de apreciação
da ameixeira, em 1900
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Há
variedades com flores que vão do branco ao vermelho, passando
por diversas tonalidades de rosa
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Sinônimo
de resistência e bom prenúncio, a flor de ameixeira anuncia
o fim do frio rigoroso do inverno japonês, com seu perfume característico.
Ela é usada como símbolo do ano novo porque sua florada
coincide com o início do ano pelo antigo calendário. A data
atualmente cai em fevereiro, e é nesta época que os parques
e templos se enchem de pétalas brancas e rosas, e de turistas.
Hoje quando
se fala em hanami apreciação das flores entende-se
flor de cerejeira, mas antigamente este ritual era sinônimo de flores
de ameixeira. Os templos xintoístas de Tenmanguu de todo o Japão
são conhecidos por seus bosques de ameixeira porque Sugawara no
Michizane, a quem os templos Tenmanguu são dedicados, amava suas
flores mais que qualquer outra. No templo Kitano Tenmanguu, em Quioto,
é celebrada a data de falecimento de Sugawara no Michizane, que
foi importante político do século 9º. Na ocasião,
gueixas servem convidados em cerimônia do chá em meio às
ameixeiras em flor.
A ameixeira
é vista como sinal de resistência porque atravessa o rigoroso
inverno japonês carregado de botões. Chineses e japoneses
veem nele bom prenúncio, pois suas flores desabrocham quando o
frio se torna menos intenso e a primavera se aproxima. Ela é muito
usada em cerâmica e estamparia, principalmente quando é relacionada
ao ano novo, em pratos e recipientes das primeiras refeições
do ano, em cerimônias de chá nos meses de janeiro e em quimonos
femininos.
As principais
variedades apresentam flores vermelhas ou brancas. Como essa combinação
de cor é usada em comemorações, a flor é associada
à alegria e felicidade. Muitos doces, servidos em comemorações
como casamentos e noivados, têm estampada a forma da ameixeira ou
sua flor.
A planta é
também muito ligada ao cotidiano dos japoneses, pois é de
seu fruto que se faz o umeboshi, uma das conservas mais consumidas pelos
japoneses. Nem todas as variedades dão frutos, mas no Kitano Tenmanguu
de Quioto os umes são colhidos para fazer as conservas vendidas
na loja do próprio templo.
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Praticamente
todas as províncias japonesas têm o seu bosque de ameixeiras.
Os japoneses lotam os parques para ver as flores que vão da cor
branca à vermelha, passando por diversas tonalidades de rosa.
Há também variedades com flores amarelas.
Em
Mito, o parque Kairakuen, inaugurado em 1842, possui 3.000 pés
dessa planta. O espaço foi construído pela família
Tokugawa e inicialmente era restrito a seus membros, nobres e monges,
mas depois foi aberta à população da região.
Em 1874, foi passado à administração pública
e, em 1900, foi organizado o primeiro dia de apreciação
das flores de ameixeira. Atualmente o parque realiza a festa entre 21
de fevereiro a 31 de março, com cerimônias do chá
ao ar livre e concertos de kotô. No período da festa, as
ameixeiras são iluminadas das 18 h às 20 h.
Em Tóquio,
o parque Yoshino Baigou possui 25 mil pés de 120 variedades da
planta. Ele fica no município de Oume, e chega a receber 300
mil visitantes durante a festa das flores de ameixeira. Uma área
restrita, onde o ingresso é cobrado, é acessível
a cadeirantes. A cidade, que significa ameixa ume verde,
fica a 90 minutos de trem da capital.
Um dos jardins
japoneses mais conhecidos, o Kenrokuen, em Kanazawa, província
de Ishikawa, também possui pés de ameixeira. Elas começam
a desabrochar no final de dezembro, e as flores vermelhas oferecem um
belo contraste com a neve, que costuma cair com intensidade nessa cidade.
O setor de ameixeiras de Kenrokuen tem 3.000 metros quadrados, com 140
pés de ameixeiras brancas e 60 pés de ameixeiras vermelhas.
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