
Estrangeiros
desempregados em Hamamatsu (Shizuoka) saem às ruas para pedir
que o governo os ajudem: mercado de trabalho para eles pode piorar
com a nova legislação que está no Parlamento
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(Foto: Kyodo)
As empreiteiras
que contratam brasileiros no Japão estão acompanhando de
perto as mudanças no sistema de contrato de trabalhadores terceirizados,
que faz parte da Reforma Trabalhista do governo Yukio Hatoyama, discutida
no Parlamento. Pesquisa feita pelo Ministério do Trabalho, Saúde
e Bem-Estar Social até outubro de 2009, com mais de 94 mil empresas
que contratam estrangeiros, mostra que 66 mil brasileiros estão
no país trabalhando como terceirizados (haken). Mas o número
é provavelmente maior, já que algumas companhias não
responderam a pesquisa.
As opiniões
das empreiteiras dividem-se sobre o quanto a proposta do governo vai atingir
a comunidade brasileira no Japão. Segundo Yoshimitsu Akiyoshi,
chefe de Recursos Humanos da Yasuzu Kogyo, considerada a maior empreiteira
com funcionários brasileiros na Suzuki de Kosai (Shizuoka), a obrigação
de contratar os trabalhadores diretamente e remunerá-los mesmo
quando não houver serviço não afetará tanto
a empresa. Isto porque já operamos nessas condições
há cerca de dez anos, afirma Akiyoshi.
Dos cerca de
800 terceirizados antes da crise, restaram cerca de 600, ou 25% a menos.
Consideramos uma baixa normal, porque, fora da crise, no período
em que inicia o ano fiscal, em abril, nosso histórico de demissões
também é de 20%.
Em Aichi, Romeu
Funatsumaru, da Avance Corporation, diz que tudo o que estão
fazendo prejudica o mercado interno. Apesar da nova lei, ele acredita
que a terceirização por cadastro (tooroku-gata haken) vai
continuar. Segundo Funatsumaru, entre 30% e 40% da população
que ganha menos de 2 milhões de ienes por ano e que trabalha em
fábrica vai acabar ficando sem alternativa de emprego. Ele acredita
que as empresas vão continuar saindo do Japão ou se ajustando
à nova realidade com trabalhadores temporários asiáticos.
A tendência é que os empregos continuem migrando para
a China, Tailândia e Malásia, alerta.
Yoshiro Akiyama,
que pesquisa os trabalhadores brasileiros no Japão e é autor
do livro Todo Dekassegui é um Urashima Taro, é da opinião
de que o governo quer acabar com o sistema de haken fazendo que as empresas
trabalhem por empreitada (ukeoi). No entanto, na prática,
o que acontece é que elas fazem ukeoi trabalhando como haken,
diz. Akiyama, que trabalhou como tantoosha de 2004 a 2008, acredita que
a reforma não vá dar certo. Os contratos precários
que antes eram de três meses agora são de um mês para
facilitar a dispensa do funcionário. Acho que não vai beneficiar
brasileiros. Antes havia a barreira do nihongo, agora é a idade,
conclui.
O tantoosha
J.S., de Shizuoka, concorda que a tendência é as empreiteiras
administrarem a linha de produção pelo sistema de ukeoi.
Acredito que, em breve, as empreiteiras minguarão. Poucas
delas possuem licença e não contam com estrutura ou informação
sobre as diferenças entre as duas modalidades, diz. Qual
empreiteira sabe administrar uma linha de produção? Tem
domínio técnico do produto? Tem noção de legislação
trabalhista? Tem cacife para bancar funcionário parado em caso
de redução de produção? E como ficam os casos
de defeito?, questiona.
O tantoosha
alerta ainda para o caso de empresas e empreiteiras que firmam contratos
por empreitada, mas continuam tratando os trabalhadores como se fossem
haken.
Atualmente,
o período mínimo previsto por lei para um contrato de trabalho
é de três meses, renovável por, no máximo,
três anos. Após esse período, o empregador tem de
demitir ou contratar a pessoa como efetivo. J.S. lembra que se trata de
uma ótima ferramenta para as empreiteiras filtrarem os bons funcionários.
Mas é péssima quando a produção cai, e elas
não têm como demiti-los.
Ele afirma
ainda que uma mudança como essa é irreal, caso a crise se
repita. Qual trabalhador vai ficar exigindo contrato numa época
de tanto desemprego? Aqueles que querem poupar dinheiro em pouco tempo
vão querer se legalizar?, pergunta o tantoosha.
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