A
crise pegou forte os brasileiros no Japão, que tiveram de
enfrentar aumento de desemprego, além da diminuição
de salários
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(Foto: Osny
Arashiro/IPC | Foto: Divulgação)
Em palestra
proferida na Universidade de Arte e Cultura de Shizuoka, em Hamamatsu
(Shizuoka), dia 1°, dentro do ciclo Debates em Português, ainda
em comemoração aos 20 anos do movimento dekassegui, o professor
Shigehiro Ikegami apresentou dados de uma pesquisa realizada por sua equipe
que apontam que os brasileiros residentes no Japão enfrentam uma
forte queda na renda em virtude da escassez de horas extras e até
de postos de trabalho.
O professor
comparou os dados com um estudo semelhante realizado em 2007 e os resultados
mostram o difícil cenário econômico dos dekasseguis.
Quanto ao desemprego, houve um aumento significativo de 4% para 26%. Ou
seja, se, em 2007, a cada 25 pessoas uma estava desempregada, em 2009
essa proporção subiu para uma em quatro.
O palestrante
ainda comparou os salários de setembro de 2009 com os do mesmo
mês na pesquisa anterior. No item sem salário a até
160 mil ienes, valor próximo ao que recebe uma pessoa recém-formada
do Ensino Médio, o número saltou de 27% para 46%. Já
a proporção de brasileiros que recebem mais de 260 mil ienes
de salário caiu para menos da metade de 36% para 14%.
Ikegami, que
entrevistou brasileiros acima de 16 anos de idade escolhidos aleatoriamente
a partir dos dados de registro de estrangeiros de Shizuoka, afirmou ainda
que os brasileiros estão começando a se integrar à
sociedade local. Por exemplo, os pesquisadores enviaram questionários
em português e japonês à comunidade na cidade, dos
quais 26% foram respondidos. Desses, 14% voltaram escritos em japonês.
Além disso, em 2007, o número de pessoas que responderam
que morariam no Japão de forma permanente foi de 13%, enquanto,
em 2009, essa percentagem aumentou para 24%. Logo no início da
palestra, ele alertou que para uma sociedade alcançar a convivência
multicultural pacífica, os estrangeiros precisam ter independência
social e, ao mesmo tempo, participar da comunidade japonesa e para
isso são necessários estabilidade no emprego e aprendizado
do idioma.
Ikegami também
citou uma pesquisa sobre a saúde mental dos brasileiros em Hamamatsu.
Apesar de os resultados não terem sido divulgados, os números
parecem chamar a atenção das autoridade. Com base nos dados,
foi decidido que a cidade seria a primeira no Japão a dar início
ao atendimento a pacientes estrangeiros que sofrem de distúrbios
mentais.
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Para agilizar
as causas trabalhistas, o governo japonês implantou em 2006 o Tribunal
de Causas Trabalhistas (Roodoo Shinpan Seido). Desde então, o número
de processos movidos para resolver problemas como demissão repentina
e não pagamento de salário cresceu quatro vezes, registrando
3.468 casos em 2009, segundo a Suprema Corte do Japão.
As soluções
são rápidas e os casos podem ser resolvidos em até
três audiências na presença de um juiz e dois jurados
especializados em problemas trabalhistas. Em média, os processos
são concluídos em 70 dias. Caso as partes não cheguem
a um acordo em três audiências, é feito um julgamento
no qual uma solução é sugerida pelo juiz. Se uma
das partes não aceitar a proposta, o caso deverá ser tratado
num processo civil comum.
Segundo a Suprema
Corte, durante o ano fiscal 2006, o Tribunal de Causas Trabalhistas atendeu
877 casos. No segundo ano, o número subiu para 1.494, e depois
para 2.052 em 2008. De 2008 para 2009, houve aumento de 70%. Entre os
3.468 casos levados à Justiça em 2009, cerca de metade (1.701
casos) refere-se à verificação do vínculo
empregatício, incluindo demissão por parte do empregador.
Outros 1.059 casos foram sobre problema de pagamento de salário.
Ação
movida por brasileiros
Trabalhadores
estrangeiros também têm recorrido a esse sistema para resolver
seus problemas. Um grupo de oito brasileiros, demitidos pela empreiteira
que os alocava para a fábrica da Canon em Nagahama (Shiga), abriu
um processo contra a empreiteira em julho do ano passado junto ao Tribunal
de Otsu.
Eles alegaram
que a demissão foi inválida e solicitaram o pagamento de
salários referentes aos meses em que ficaram sem trabalhar após
o corte. O grupo foi demitido entre abril e maio de 2009.
A empreiteira
alegou que o corte era necessário para evitar a falência,
mas a empresa ainda mantinha imóveis valiosos após a demissão
e não tentou encontrar outras fábricas para alocar os brasileiros.
A Justiça
confirmou que a demissão era inválida e ordenou à
empreiteira o pagamento de 1,2 milhão de ienes (R$ 24.588) ao grupo.
A empresa, porém, contestou a decisão, e o caso está
sendo julgado num processo civil.
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