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A desregulamentação
do setor de trabalho no Japão resultou no aumento de mão
de obra terceirizada e de desigualdade social. A conclusão é
do Relatório da Economia Trabalhista do ano fiscal de 2010 divulgado
dia 3 pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social.
Para garantir salários maiores e estabilidade, seria importante
efetivar esses trabalhadores, diz o estudo.
O documento
aponta o aumento da proporção dos empregados que ganham
entre 1 milhão (R$ 20.590) e 2,5 milhões de ienes (R$ 51.475)
por ano entre 1997 e 2007. Segundo estimativa feita pela Agência
Nacional de Tributação do Japão (equivalente no Brasil
à Secretaria da Receita Federal), entre os 45,43 milhões
de trabalhadores assalariados do Japão, o número dos que
tiveram renda anual de até 2 milhões de ienes (R$ 41.180)
em 2007 foi de 10,32 milhões. Desse grupo, 3,66 milhões
de pessoas ganharam menos de 1 milhão de ienes (R$ 20.590).
Em comparação
com o resultado do ano anterior, o número dos trabalhadores com
renda anual de até 2 milhões (R$ 41.180) aumentou cerca
de 100 mil. Por outro lado, 2,33 milhões de pessoas ganharam mais
de 10 milhões de ienes (R$ 205.900) em 2007, ou 84 mil pessoas
a mais ante o resultado do ano anterior.
Mais
terceirizados
Uma das principais
causas do aumento da desigualidade salarial indicada pelo relatório
é o aumento da mão de obra terceirizada no Japão.
Com a política de desregulamentação adotada pelo
governo na década de 2000, as grandes empresas elevaram o número
de empregados não efetivos no quadro funcional a fim de conter
custos. Hoje eles representam cerca de 30% dos trabalhadores no país.
O relatório critica a indústria por ter aumentado a proporção
de terceirizados, que são os primeiros a ser cortados na hora da
crise, contribuindo com a aceleração da desigualdade salarial
e a redução do consumo. Para reverter essa situação,
o estudo ressalta a importância da atuação do governo
central em estabilizar a economia. Assim as empresas começariam
a investir mais na capacitação dos empregados e a contratar
de forma planejada funcionários efetivos.
Emprego
permanente
Ainda de acordo
com o relatório, será necessário focalizar o investimento
nas áreas promissoras para gerar empregos no país. Os setores
com grande potencial de crescimento citados no estudo são os de
energia renovável, biotecnologia, ecologia, saúde e assistência
social. Além disso, o estudo defende a retomada do sistema de trabalho
anterior, baseado no emprego vitalício, e o aumento salarial conforme
o tempo de serviço, para qualificar os recursos humanos no longo
prazo.
Boa parte dos
empregadores concorda com a ideia. Segundo uma pesquisa feita em janeiro
com cerca de 3 mil empresas, 49,7% delas reconhecem que o sistema de emprego
permanente trará mais benefícios.
O estudo apontou
também a mudança da postura das companhias em relação
à estratégia de recrutamento, citando que agora há
mais interesse em funcionários com potencial de crescimento para
serem treinados após a contratação, em detrimento
dos profissionais qualificados e experientes que vinham sendo preferidos
nos últimos anos.
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